Viveremos em contínua barganha com Deus?
Texto base: 1 Coríntios 15:19
Em 1ª Coríntios 15:19 lemos: Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Este versículo lança por terra qualquer pretensão de estabelecer com Deus uma relação comercial, ao menos no tocante às bênçãos que desejamos fruir nesta vida que cá levamos.
Infelizmente muitos cristãos têm a equivocada ideia de que se fizerem o bem, receberão sempre o bem; e que se recebem o mal, então algo de errado ou contrário à vontade de Deus foi por eles feito. Seguramente as principais culpadas para a prevalência deste pensamento são as denominações religiosas frequentadas por esses cristãos, pois, sabendo ser esta uma ideia tão arraigada em nossa cultura, negligenciam o tema ao não trabalhá-lo com a mesma ênfase com que ele é abordado na bíblia através do livro de Jó – na realidade, há não poucas dentre elas que mesmo endossam esse tipo de concepção.
De fato - apenas para ilustração - como justificar, por meio da conduta de vida de Jó, todo o mal que lhe sobreveio? A mesma bíblia que afirma ser ele um homem sincero, reto, temente a Deus e que se desviava do mal, arrola, na sequência, uma série de desgraças que lhe caíram: perdeu todos os bens que possuía, teve todos os filhos mortos e, como se não bastasse, fora acometido por uma dolorosa enfermidade que o mortificava aos poucos! E qual a razão de tamanho massacre? Resumidamente, tudo o que se passou ocorreu de tal forma porque Deus assim o quis!
Lendo o livro de Jó poderemos ser tentados a achar que Deus, afinal, não é amor; pois parecerá ser injusto, mal, impiedoso, zombador. Mas, continuando a leitura até o final, ponderando todas as suas ações ao longo da história descritas com pormenor em sua Palavra, deixando que o Espírito Santo acalme o nosso coração, e, acima de tudo, nos recordando que, para salvar uma humanidade que não quer dele fazer caso, enviou seu único filho para, por meio de uma morte de cruz, levar sobre si todos os pecados e enfermidades daqueles que a ele se curvem como servos, fazendo-o o seu Senhor e Salvador, entendemos que Deus, sim, é amor!
Se estivermos passando por qualquer tipo de sofrimento, seja ele físico ou psicológico, lembremo-nos de que Jesus padeceu antes; e por nós! Temos ao nosso dispor a possibilidade de cura e libertação, alcançadas por intermédio da oração, se esta for a vontade de Deus; mas, se não, não sofreremos sozinhos, pois Cristo está e estará conosco até a consumação dos séculos. Além do mais, a nossa leve e momentânea tribulação produz, para nós, um peso eterno de glória mui excelente (2 Coríntios 4:17).
Mas se alguém insiste em recusar essa ideia contida na bíblia para se agarrar ao ditado popular de que é dando que se recebe, a este perguntarei: Que mal fez Estevão para ser morto apedrejado? Ou Paulo, para lhe cortarem a cabeça? Que mal, aliás, fizeram todos os discípulos de Jesus, à exceção de João, para terem sido assassinados? Por fim, e mais importante, que mal fez o nosso Senhor Jesus para que fosse pregado numa cruz e deixado morrer asfixiado debaixo de dores insuportáveis e um Sol escaldante?
Enfim, os espíritas – estes sim! – fazem o bem visando ter a oportunidade de encarnar-se numa pessoa melhor na próxima vida; nós, seguidores de Cristo, somos acompanhados por boas obras não porque esperamos receber algo em troca, mas porquanto já o recebemos através da morte do nosso Senhor. Ele já fez a obra; cabe a nós a aceitarmos.
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