A Família de Jesus
Texto base: Marcos 3:20-21, 31-35
Os dois trechos bíblicos que abordaremos tratam da família de Jesus, nosso Senhor e Salvador: O primeiro deles, da família biológica, o outro, da família espiritual, aquela que necessariamente terá parte no Reino de Deus. Analisemos cada um e vejamos o que têm a nos ensinar.
Versos 20-21: E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E, quando os seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque diziam: Está fora de si.
Diz o texto que Jesus, acompanhado por seus discípulos, estava a pregar o Evangelho, a ensinar e a realizar milagres em determinada localidade. Em certo momento, decide entrar numa casa, provavelmente para visitar a família anfitriã.
Os versículos em destaque expõem que os parentes de Jesus, nomeadamente sua mãe e irmãos, percebendo que o Senhor estava a pregar as boas novas, e de antemão sabendo de todas as obras que realizara, saíram para o prender por pensarem que ele estava desvairado. A família natural de Jesus, com quem convivera por 30 anos, escandalizou-se ao vê-lo em seu ministério.
Essa passagem nos mostra de maneira insofismável que às vezes para sermos ouvidos no seio de nossa família precisamos, antes, ser ouvidos pelo mundo lá fora. De fato, em algum momento a conversão espiritual se deu na vida de seus parentes, pois não duvidamos que Maria foi salva e temos ciência de que pelos menos dois de seus irmãos, Tiago e Judas, pelos livros a eles atribuídos na bíblia, também alcançaram misericórdia da parte do Todo-Poderoso, sendo o primeiro deles reputado nas Escrituras como coluna da Igreja primitiva.
Uma vez mais necessário se faz dizer: Seremos levados a sério pelos que estão mais próximos de nós quando formos apreciados pelos de fora. O nosso testemunho em casa, no círculo familiar ou no círculo de amigos próximos, para ser devidamente efetivo, demanda que testemunhemos a Cristo perante estranhos, no campo aberto, longe da nossa zona de conforto. É apenas após este crivo que o nosso discurso começará a ser acolhido pelos de perto.
Versos 31-35: Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar. E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam diante dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.
Essa passagem apresenta uma profusão de significados para nós, amantes da palavra de Deus. Ela deixa entrever, a título de exemplo, uma posição importante acerca da precedência no Reino de Deus: Maria, a despeito de ser mãe biológica do Cristo, do Messias, não goza, por isto mesmo, de privilégio no Reino. Embora ela tenha sido bem-aventurada aos olhos de Deus, por nenhuma razão ela poderia se vangloriar da honra de dar à luz o Salvador; ela não teve qualquer mérito nisso, a eleição foi baseada na graça. Deus não faz acepção de pessoas; Ele não distingue uma da outra por supostas qualidades, características, aparência ou habilidades, pois é Ele próprio que nos concede os dons. Paulo, em uma de suas cartas, em forma retórica pergunta aos seus destinatários jactanciosos: O que temos que não tenhamos recebido?
Em suma, o privilégio de fazer parte da família espiritual de Jesus decorre não de elementos extrínsecos ao próprio Reino, como cargos em denominações, nem mesmo de se ter sido usado como instrumento para a concretização dos desígnios divinos. O pertencimento à família, ao corpo do qual Cristo é a cabeça, é consequência da submissão a Jesus como Senhor e único Salvador, vez que esta é a vontade de Deus para conosco.
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